Em Ceilândia (DF), cinco conselheiros se desdobram na tarefa de garantir direitos
Por: Nael Talita, Gil Araújo, Flaviana Ramos (Ceilândia/DF)
O Distrito Federal possui hoje 33
regiões administrativas em sua totalidade e em apenas dez dessas regiões está
presente o Conselho Tutelar, que atua em cima dos casos dos direitos da criança
e do adolescente em casos de violação ou indícios de violação de seus direitos,
prevenindo e promovendo ações direcionadas à família. O órgão também atua no
exercício do controle social e de requisição de serviço público para a
comunidade – por ser colegiado apenas um juiz pode rever sua decisão.
A maior demanda da comunidade é
por vagas em creches ou intervenções cirúrgicas em caráter de urgência, o que
deixa os apenas cinco conselheiros da cidade de Ceilândia super atarefados.
Isso motivou um concurso público no começo do mês de outubro para contemplar as
outras 23 regiões administrativas. Isso constituirá 165 conselheiros tutelares
mais 230 suplentes, com prazos para implantação até o fim de 2009.
A função do conselheiro é de
ouvir que violação e orientar ao serviço mais adequado a cada caso com
deliberação e intervenção nos casos de situação de risco encaminhando para o CREAS (Centro de Referência de
Assistência Social), COSE (Centro de
Orientação Sócio Educacional), CRAS
(Centro de Referência de Assistência Social), Saúde Mental, COMPP (Centro de Orientação Médico
Psico-Pedagógico), Adolescentro, Serviço de Saúde ou Cursos Profissionalizantes
entre outros.
Principais demandas – De acordo com informações fornecidas pelo
Conselho Tutelar de Ceilândia, para o atendimento infantil a prioridade é de
creche e consultas médicas, pois temos algumas cirurgias marcadas para o ano de
2012 o que é uma afronta ao ECA. Outra
procura grande é por acesso à educação, pois as escolas públicas de Ceilândia
não comportam o número de pessoas em idade escolar. Já para os adolescentes, a
maior necessidade é por cursos profissionalizantes ou indicações para o
primeiro emprego. Isso gera a firmação de algumas parcerias com o SINE, SESI. Mas sem excluir a problemática da drogadição e conflitos com
a lei de uma forma geral – além de violência doméstica, maus tratos, abuso
sexual e espancamento.
De janeiro a agosto, desse ano
foram atendidos em média 380 casos por cada conselheiro, ano passado todo a
média foi de 580 tendo um total de 2800 a 3000 casos.
Uma das instituições que o
Conselho Tutelar indica para as crianças freqüentarem é o COSE (Centro de Orientação Sócio Educacional), situado na Ceilândia
Sul e é composto de um coordenador, um técnico de educação física, um pedagogo,
três educadores e auxiliares. O Conselho Tutelar funciona em horário comercial
de 8h ás 12h e 13h às18h.
São atendidas em média 150 crianças
entre o projeto PETI (Programa de
Erradicação ao Trabalho Infantil) e indicações da Vara da Infância e Conselho
Tutelar, oferecendo atividades de esporte, lazer, arte e complemento escolar em
parceria com a escola para não haver divergências entre as instituições e além
de lanchar antes de irem para casa e também são realizadas reuniões mensais com
as mães para maior acompanhamento.
Opinião - -“Apesar de novo o
Conselho está se firmando, precisamos ter essa efetivação do ECA” diz Domingos Francisco S.
Barbosa, 46 anos, que trabalha desde 1981 nas antigas Curadorias de Menores e
desde 2006 no Conselho Tutelar. “Ele (o Conselho Tutelar) é uma doutrina de
proteção integral aplicável á criança e ao adolescente por que magnífica a
declaração internacional da criança e do adolescente” completa Domingos.
“A relação se dá no momento que Conselho Tutelar identifica uma
criança, por exemplo, em situação de abandono e então encaminha para o serviço
social COSE e existe uma conversa direta com o Conselho Tutelar para atender
essas necessidades”.
confirma Tomé Aguiar de Vieira,
Técnico em Educação Física.
A moradora do Setor P Norte de
Ceilândia, Sônia Lima Souza, 38 anos, foi ao conselho tutelar pela primeira
vez, através da orientação dos amigos para ajudar com seu filho de 11 anos. “Ele largou a escola, passa o dia e maior
parte da noite na rua com más companhias fazendo muita coisa errada. Ele está
muito mal educado totalmente sem rédea” relata Sônia com os olhos lacrimejantes.
“A escola não tinha nada de bom, eu não tinha amigos nem gostava dos
professores, a aula é muito chata! Eu queria que minha escola tivesse computador
e outras coisas pra eu fazer”conta
Eduardo.