Adolescentes refletem realidade do Ensino Médio em Iguatu
Núcleo Iguatu realiza um monitoramento que traz a opinião dos estudantes
Por: Nayara, Elizandra, Valdenor, Andresa e Rikáryo (Núcleo Iguatu)
O Núcleo de Iguatu optou
por fazer o monitoramento de políticas públicas na temática do Ensino Médio.
Nessa proposta, o grupo não se fixou numa única questão ligada à perspectiva da
realidade dessa etapa da educação em seu município. Por meio de questionários
aplicado junto a professores, estudantes e gestores, os jovens procuraram fazer
um diagnóstico do Ensino Médio, revelando as principais questões que alcançam o
cotidiano da escola.
Acompanhe conosco o
percurso feito pelo Núcleo Iguatu e o que os entrevistados revelaram.
Números do monitoramento:
Escolas: 09
total de formulários
distribuídos: 10
Professores: 06
total de formulários
distribuídos: 10
Alunos: 42
total de formulários
distribuídos: 50
Pais de alunos: 06
total de formulários
distribuídos: 10
Sobre Greve
Quando o assunto é greve, a maioria dos professores
se manifesta a favor da luta pela melhoria da classe. Mas essa maioria deixa a
desejar na união de objetivos: muitos ressaltaram que as necessidades existem,
mas na hora da negociação os resultados sempre favorecem aos governos.
Formação Acadêmica e Aspectos profissionais
Do universo de escolas visitadas pela equipe do
Núcleo Iguatu, todo quadro docente possuía formação superior na área de
licenciatura e Educação. O que já expressa uma melhor formação acadêmica dos
profissionais. Dos entrevistados, a maioria afirmou que atua dentro da área de
sua graduação. Apenas uma professora revelou estar ocupando uma disciplina fora
da sua formação acadêmica.
Os entrevistados revelaram que trabalham a carga
horária de 40 horas semanais, com média de salários na Rede Estadual entre
R$1.000 (mil reais) e R$2.000 (dois mil reais) - com exceção do ensino federal
que ficou em média de R$4.000 (quatro mil reais) para os docentes.
De modo geral, os professores classificaram como boa
e ótima a relação com os/as gestores das escolas em que atuam. Dos seis
entrevistados, quatro são profissionais contratados (Ensino Médio/Estado) e
dois são concursados (Ensino Médio/Federal).
Procuramos perceber se os professores precisavam se
desdobrar em várias escolas para garantir uma mínima rentabilidade. Dos
entrevistados, quatro disseram lecionar em apenas uma escola, enquanto que dois
trabalham em três unidades de ensino.
Apesar dos problemas diários, os professores garantem
que estão satisfeitos no trabalho que desenvolvem. Entre os incômodos, está a
super lotação das salas de aula, falta de tempo para planejamento mais completo
e a desvalorização dos professores pelo estado.
A maioria sinalizou que está com 10 a 20 anos de atuação
profissional. Muitos professores têm experiência em sala de aula essencialmente
em escolas públicas do estado e do município, enquanto alguns poucos tiveram
uma rápida passagem em unidades privadas de ensino.
Aspectos
Pedagógicos
Os professores revelaram - em unanimidade – que nunca
participaram de capacitações ou reciclagens realizadas por parte da Secretaria
Estadual de Educação. Tampouco vivenciaram atividades mais pontuais com esse
propósito.
Segundo os professores, as escolas realizam
planejamento pedagógico semanalmente, além da semana anual na qual se norteia
os horizontes da metodologia a ser adotada no ano letivo.
Os professores percebem que os alunos apresentam
dificuldades de compreensão e assimilação dos conteúdos apresentados em sala de
aula. Muito dessa barreira, está na falta de interação desses assuntos com os
estudantes, o que acaba por gerar desatenção.
Para os entrevistados, a maior diferença entre
ensinar numa escola privada está na maior cobrança pelo aprendizado do
conteúdo, inclusive fortalecido pelo envolvimento dos pais. Eles observam que
nas escolas publicas os pais não se envolvem como deveriam e um agravante é que
a maioria não aparece nem para as reuniões dos pais.
Um dado valoroso da fala dos professores é a
confiança no Ensino Público. Para eles e elas, muitas dificuldades seriam
diminuídas se houvesse uma maior aposta da sociedade, especialmente dos
gestores que deveriam ter um olhar mais bondoso pelo ensino público. Por outro
lado, seus filhos e sobrinhos estão matriculados em escolas privadas.
Apesar de ser uma relação repleta de pequenas
desavenças e desencontros, os educadores compreendem que ela é boa. Para eles,
o bom senso sempre prevalece.
O que dizem as famílias de alunos e alunas
Produzimos um questionário e com dez cópias e
distribuímos junto aos familiares dos estudantes. Desse número enviado, apenas
três foram respondidos, mesmo mediante intensificação dos contatos
Os pais compreendem como os estudos como algo
importante para o presente e futuro de seus filhos. Dos três participantes,
dois definiram a escola como ótima, enquanto que um demonstrou insatisfação,
principalmente com a qualidade do conteúdo apresentado na sala de aula. Foram
unanimes em responder que confiam na escola pública.
Todos disseram conheceros gestores das escolas de seus filhos,
contudo percebem que é necessário conhecer mais. Inclusive, sinalizaram apoiar
os professores nas últimas greves e compreender a necessidade de melhores
salários, bem como da constituição de um plano de cargo e carreira.
A escola no olhar de quem estuda nela
Ao longo do monitoramento, entrevistamos 42
estudantes do Ensino Médio de escolas públicas de Iguatu (CE). Da mesma forma
que foi feita com os professores, a entrevista se deu no formato de aplicação
de questionários e mobilização nas escolas.
O sentido da escola
A primeira pergunta que fizemos aos estudantes foi
qual era o lugar dos estudos em sua vida. Todos foram unânimes em responder que
a escola ocupava um lugar muito importante positivo em suas vidas. Apesar das
dificuldades naturais de quem vive fora dos grandes centros urbanos e menores
oportunidades de aprofundamento dos estudos dentro do município, todos
entrevistados se afirmaram estimulados a tentar cursar o nível superior.
Embora haja o interesse pelos estudos, os alunos
consideraram que poucos professores os estimulavam a estudar e seguir em frente. Mesmo assim,
as respostam demonstram que os adolescentes acreditam que seus educadores são
devidamente qualificados – pontuaram como regular a qualificação profissional
dos docentes. Nessa questão, surgiram alguns questionamentos a falta de
interação dos professores com os alunos no cotidiano de sala de aula.
Estrutura Física e Pedagógica
Também procuramos saber que avaliação os discentes
fazem do material didático empregado em sala de aula, bem como da merenda
escolar. A maioria das respostas sinalizou que os estudantes não apreciam os
livros utilizados e os definem como ruins tanto no conteúdo, quanto na forma
(os livros estragam com facilidade). Já o lanche nem pode ser avaliado, visto
que não vem sendo oferecido - mesmo com os indicativos de mudanças que
garantiriam melhorias, mas que ainda não foram aplicadas.
Na realidade de Iguatu, a estrutura física das
escolas foi considerada boa e excelentepela maioria dos alunos. Contudo, eles pontuam que faltam algumas coisas
básicas como: viagens técnicas (necessárias no contexto das escolas rurais),
laboratórios e quadras esportivas. Mais do que questões físicas, eles apontaram
demandas de atividades mais pedagógicas como maior número de atividades
extracurriculares e de uma maior preparação voltada para o vestibular.
Eles reiteram que as disciplinas mais ligadas às
Ciências Exatas continuam sendo desafiantes, assim como o diálogo com a direção
de suas escolas. Para eles, a maior dificuldade é a falta de dialogo e que
existe muitas decisões tomadas sem a consultade espaços dos quais os estudantes fazem parte como o grêmio estudantil
ou conselho escolar.
Projeto de vida e escola
Para os estudantes, o envolvimento da família na sua
vida escolar existe, mas ainda não é o suficiente. Com dificuldades
operacionais, 19 dos adolescentes entrevistados tem atuação em movimentos
escolares tanto de ordem mais política/deliberativa (Grêmio, Conselho Escolar)
quanto desportivas/lúdicas (campeonatos de futebol, xadrez, entre outros).
O município de Iguatu já conta com algumas escolas
oferecidas em tempo integral, o que faz com que todos os entrevistados tenham
uma opinião formada sobre o assunto, ou já o vivenciem na prática. Para eles, a
carga horária é pesada e impede a existência de uma vida social.
Um assunto que dividiu o posicionamento dos
estudantes que entrevistamos foi a qualidade do ensino. Dos 42 entrevistados,
20 acham o ensino atrativo mesmo com problemas, outros ressaltaram que a
estrutura é problemática e classificaram o ensino como ruim. Todos os
entrevistados afirmaram que possuem dificuldades na leitura e expressão.
Escola e
Outros temas
Dos jovens entrevistados, 28% apontaram desenvolver
pequenos trabalhos, sem vínculos trabalhistas e por temporadas curtas momentâneos.
No contexto da realidade de Iguatu, os estudantes
afirmaram sentirem-se seguros dentro do ambiente da escola, incluindo os alunos
matriculados no horário noturno.
A temática da inclusão ainda não está efetiva no
ambiente da escola. Todos foram unânimes em responder que a escola não dispõe
de alunos com alguma física ou mental. Os meios de transporte utilizados pelos
alunos são variados: dos 42 entrevistados 15 diz que vai de bicicleta, 22 de
ônibus escolar e cinco vão a pé.
O consumo de drogas não
apareceu como um problema dentro do contexto dos adolescentes entrevistados.
Nos questionários aplicados, apenas 15 apontaram consumir drogas lícitas, enquanto
a maioria afirmou que não consume nenhum
tipo de droga.