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Monitoramentos >> EDUCAÇÃO

Publicada em: 02/12/2009
Adolescentes refletem realidade do Ensino Médio em Iguatu
Núcleo Iguatu realiza um monitoramento que traz a opinião dos estudantes
Por: Nayara, Elizandra, Valdenor, Andresa e Rikáryo (Núcleo Iguatu)

O Núcleo de Iguatu optou por fazer o monitoramento de políticas públicas na temática do Ensino Médio. Nessa proposta, o grupo não se fixou numa única questão ligada à perspectiva da realidade dessa etapa da educação em seu município. Por meio de questionários aplicado junto a professores, estudantes e gestores, os jovens procuraram fazer um diagnóstico do Ensino Médio, revelando as principais questões que alcançam o cotidiano da escola.

 

Acompanhe conosco o percurso feito pelo Núcleo Iguatu e o que os entrevistados revelaram.

 

Números do monitoramento:

 

Escolas: 09

total de formulários distribuídos: 10

 

Professores: 06

total de formulários distribuídos: 10

 

Alunos: 42

total de formulários distribuídos: 50

 

Pais de alunos: 06

total de formulários distribuídos: 10

 

 

Sobre Greve

Quando o assunto é greve, a maioria dos professores se manifesta a favor da luta pela melhoria da classe. Mas essa maioria deixa a desejar na união de objetivos: muitos ressaltaram que as necessidades existem, mas na hora da negociação os resultados sempre favorecem aos governos.

 

Formação Acadêmica e Aspectos profissionais

 

Do universo de escolas visitadas pela equipe do Núcleo Iguatu, todo quadro docente possuía formação superior na área de licenciatura e Educação. O que já expressa uma melhor formação acadêmica dos profissionais. Dos entrevistados, a maioria afirmou que atua dentro da área de sua graduação. Apenas uma professora revelou estar ocupando uma disciplina fora da sua formação acadêmica.

 

Os entrevistados revelaram que trabalham a carga horária de 40 horas semanais, com média de salários na Rede Estadual entre R$1.000 (mil reais) e R$2.000 (dois mil reais) - com exceção do ensino federal que ficou em média de R$4.000 (quatro mil reais) para os docentes.

 

De modo geral, os professores classificaram como boa e ótima a relação com os/as gestores das escolas em que atuam. Dos seis entrevistados, quatro são profissionais contratados (Ensino Médio/Estado) e dois são concursados (Ensino Médio/Federal).

 

Procuramos perceber se os professores precisavam se desdobrar em várias escolas para garantir uma mínima rentabilidade. Dos entrevistados, quatro disseram lecionar em apenas uma escola, enquanto que dois trabalham em três unidades de ensino.

 

Apesar dos problemas diários, os professores garantem que estão satisfeitos no trabalho que desenvolvem. Entre os incômodos, está a super lotação das salas de aula, falta de tempo para planejamento mais completo e a desvalorização dos professores pelo estado.

 

A maioria sinalizou que está com 10 a 20 anos de atuação profissional. Muitos professores têm experiência em sala de aula essencialmente em escolas públicas do estado e do município, enquanto alguns poucos tiveram uma rápida passagem em unidades privadas de ensino.

 

Aspectos Pedagógicos

 

Os professores revelaram - em unanimidade – que nunca participaram de capacitações ou reciclagens realizadas por parte da Secretaria Estadual de Educação. Tampouco vivenciaram atividades mais pontuais com esse propósito.

 

Segundo os professores, as escolas realizam planejamento pedagógico semanalmente, além da semana anual na qual se norteia os horizontes da metodologia a ser adotada no ano letivo.

 

Os professores percebem que os alunos apresentam dificuldades de compreensão e assimilação dos conteúdos apresentados em sala de aula. Muito dessa barreira, está na falta de interação desses assuntos com os estudantes, o que acaba por gerar desatenção.

 

Para os entrevistados, a maior diferença entre ensinar numa escola privada está na maior cobrança pelo aprendizado do conteúdo, inclusive fortalecido pelo envolvimento dos pais. Eles observam que nas escolas publicas os pais não se envolvem como deveriam e um agravante é que a maioria não aparece nem para as reuniões dos pais.

 

Um dado valoroso da fala dos professores é a confiança no Ensino Público. Para eles e elas, muitas dificuldades seriam diminuídas se houvesse uma maior aposta da sociedade, especialmente dos gestores que deveriam ter um olhar mais bondoso pelo ensino público. Por outro lado, seus filhos e sobrinhos estão matriculados em escolas privadas.

 

Apesar de ser uma relação repleta de pequenas desavenças e desencontros, os educadores compreendem que ela é boa. Para eles, o bom senso sempre prevalece.

 

 

O que dizem as famílias de alunos e alunas

 

Produzimos um questionário e com dez cópias e distribuímos junto aos familiares dos estudantes. Desse número enviado, apenas três foram respondidos, mesmo mediante intensificação dos contatos

Os pais compreendem como os estudos como algo importante para o presente e futuro de seus filhos. Dos três participantes, dois definiram a escola como ótima, enquanto que um demonstrou insatisfação, principalmente com a qualidade do conteúdo apresentado na sala de aula. Foram unanimes em responder que confiam na escola pública.

 

Todos disseram conhecer  os gestores das escolas de seus filhos, contudo percebem que é necessário conhecer mais. Inclusive, sinalizaram apoiar os professores nas últimas greves e compreender a necessidade de melhores salários, bem como da constituição de um plano de cargo e carreira.

 

A escola no olhar de quem estuda nela

 

Ao longo do monitoramento, entrevistamos 42 estudantes do Ensino Médio de escolas públicas de Iguatu (CE). Da mesma forma que foi feita com os professores, a entrevista se deu no formato de aplicação de questionários e mobilização nas escolas.

 

O sentido da escola

A primeira pergunta que fizemos aos estudantes foi qual era o lugar dos estudos em sua vida. Todos foram unânimes em responder que a escola ocupava um lugar muito importante positivo em suas vidas. Apesar das dificuldades naturais de quem vive fora dos grandes centros urbanos e menores oportunidades de aprofundamento dos estudos dentro do município, todos entrevistados se afirmaram estimulados a tentar cursar o nível superior.

 

Embora haja o interesse pelos estudos, os alunos consideraram que poucos professores os estimulavam a estudar e seguir em frente. Mesmo assim, as respostam demonstram que os adolescentes acreditam que seus educadores são devidamente qualificados – pontuaram como regular a qualificação profissional dos docentes. Nessa questão, surgiram alguns questionamentos a falta de interação dos professores com os alunos no cotidiano de sala de aula.

 

Estrutura Física e Pedagógica

Também procuramos saber que avaliação os discentes fazem do material didático empregado em sala de aula, bem como da merenda escolar. A maioria das respostas sinalizou que os estudantes não apreciam os livros utilizados e os definem como ruins tanto no conteúdo, quanto na forma (os livros estragam com facilidade). Já o lanche nem pode ser avaliado, visto que não vem sendo oferecido - mesmo com os indicativos de mudanças que garantiriam melhorias, mas que ainda não foram aplicadas.

 

Na realidade de Iguatu, a estrutura física das escolas foi considerada boa e excelente  pela maioria dos alunos. Contudo, eles pontuam que faltam algumas coisas básicas como: viagens técnicas (necessárias no contexto das escolas rurais), laboratórios e quadras esportivas. Mais do que questões físicas, eles apontaram demandas de atividades mais pedagógicas como maior número de atividades extracurriculares e de uma maior preparação voltada para o vestibular.

 

Eles reiteram que as disciplinas mais ligadas às Ciências Exatas continuam sendo desafiantes, assim como o diálogo com a direção de suas escolas. Para eles, a maior dificuldade é a falta de dialogo e que existe muitas decisões tomadas sem a consulta  de espaços dos quais os estudantes fazem parte como o grêmio estudantil ou conselho escolar.

 

Projeto de vida e escola

 

Para os estudantes, o envolvimento da família na sua vida escolar existe, mas ainda não é o suficiente. Com dificuldades operacionais, 19 dos adolescentes entrevistados tem atuação em movimentos escolares tanto de ordem mais política/deliberativa (Grêmio, Conselho Escolar) quanto desportivas/lúdicas (campeonatos de futebol, xadrez, entre outros).

O município de Iguatu já conta com algumas escolas oferecidas em tempo integral, o que faz com que todos os entrevistados tenham uma opinião formada sobre o assunto, ou já o vivenciem na prática. Para eles, a carga horária é pesada e impede a existência de uma vida social.

 

Um assunto que dividiu o posicionamento dos estudantes que entrevistamos foi a qualidade do ensino. Dos 42 entrevistados, 20 acham o ensino atrativo mesmo com problemas, outros ressaltaram que a estrutura é problemática e classificaram o ensino como ruim. Todos os entrevistados afirmaram que possuem dificuldades na leitura e expressão.

 

Escola e Outros temas

Dos jovens entrevistados, 28% apontaram desenvolver pequenos trabalhos, sem vínculos trabalhistas e por temporadas curtas momentâneos.

 

No contexto da realidade de Iguatu, os estudantes afirmaram sentirem-se seguros dentro do ambiente da escola, incluindo os alunos matriculados no horário noturno.

 

A temática da inclusão ainda não está efetiva no ambiente da escola. Todos foram unânimes em responder que a escola não dispõe de alunos com alguma física ou mental. Os meios de transporte utilizados pelos alunos são variados: dos 42 entrevistados 15 diz que vai de bicicleta, 22 de ônibus escolar e cinco vão a pé.

 

O consumo de drogas não apareceu como um problema dentro do contexto dos adolescentes entrevistados. Nos questionários aplicados, apenas 15 apontaram consumir drogas lícitas, enquanto a maioria afirmou que não consume nenhum tipo de droga.

 

 


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