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Publicada em: 26/11/2009
Programa previne gravidez na adolescência e evasão escolar
Núcleo Ceilândia acompanha o funcionamento do Saúde e Prevenção nas Escolas
Por: Nael Talita, Gil Araújo e Flaviana Ramos (Ceilândia – DF)Nael Talita, Gil Araújo e Flaviana Ramos (Ceilândia – DF)
 

“O sistema educacional, portanto, inserido no processo de transformação da realidade econômica, política, histórico-cultural e com a promoção do bem estar psicossocial compreende tanto o indivíduo como sujeito de direitos e de seu próprio processo de desenvolvimento quanto a escola como um espaço privilegiado de construção de cidadãos solidários, responsáveis, participativos e dispostos ao diálogo”. O trecho destacado é do documento de apresentação do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, realizado nas escolas públicas do Distrito Federal.


O material reflete que entre os adolescentes e jovens brasileiros a taxa de fecundidade das mulheres elevou-se em 25% desde a década de 90. Esse caba sendo um dos mais fortes fatores de evasão escolar. Diante desse contexto, o programa surge como uma tentativa de mobilizar o estudante para tornar-se um multiplicador da idéia de prevenção a gravidez e DST’s/AIDS e da saúde. Através da maior consciência, a evasão também se diminuiria.


A Rede Sou de Atitude, representada pelo núcleo de Ceilândia, optou por monitorar o Programa de Saúde e Prevenção nas escolas públicas do Distrito Federal, com objetivo de observar como ele repercute junto aos jovens. Para isso, estivemos em duas das escolas que desenvolvem o PSP nas escolas públicas do Distrito Federal, e em duas que não desenvolvem o programa. A idéia era buscar informações efetivas para que elas possam ser usadas para atingir uma maior abrangência do programa. O nosso processo de monitoramento foi feito na perspectiva da participação do jovem como forma de diminuição da evasão escolar, atuando como multiplicador ou apenas beneficiário do Programa.


O Monitoramento - Um fator intrigante nas escolas em que o programa não era desenvolvido foi a desconfiança e até mesmo relutância dos alunos em responder as perguntas mais objetivamente. O mesmo ocorreu com os gestores - que mesmo após várias solicitações até o dito momento. Destes, a única resposta que obtivemos é que eles irão entrar em contato com o nosso núcleo.


Mesmo assim dos 90% alunos entrevistados apenas 10% não conheciam, mas já haviam ouvido falar do programa. Dos entrevistados nas escolas com o programa, 90% participam do programa e todos disseram que isso faz com que eles se sintam motivados a continuar na escola. De modo geral, os participantes do programa obtiveram benefícios significativos:


- Meus maiores benefícios com o programa foram: Informação, responsabilidade e socialização. (masc. 16 anos, CEM 06).


Percepções - Apenas 10% dos entrevistados disseram conhecer outra escola que desenvolve o programa. Nas escolas onde é desenvolvido o programa, os alunos afirmaram que o material é suficiente para a disponibilização, mas não desenvolveram ainda uma forma de avaliação dos processos de participação ou de redução da evasão por meio do programa.


A estimulação da vida sexual antecipada foi o fator negativo mais citado, e a prevenção foi o ponto positivo mais citado - estava em todas as respostas, seguido da redução da evasão escolar.


Em ambos os casos, o programa foi apresentado à escola por professores sendo levado ao conhecimento da coordenação e depois trabalhado o tema em sala de aula como conteúdo interdisciplinar, oportunizando a alunos e professores maior acesso aos meios de prevenção. Todos os professores trabalham indiretamente o conteúdo interdisciplinar. Além do comprometimento como multiplicador - levando informação não só para dentro da escola como fora dela - o programa oferece atrativos como oficina de dança do ventre e dança de rua.


Apesar da escola não receber nenhuma verba específica do governo para o desenvolvimento do programa, as unidades recebem uma quantidade de material que é suficiente para a disponibilização dentro da escola e nos eventos que promovem ou participam.


Mesmo com dificuldades, as escolas vêm alcançando seus objetivos e metas em relação à implantação do projeto, que foi a redução da gravidez não planejada. Essa mudança contribui diretamente na diminuição da maior causa da evasão escolar entre meninas.


Não consigo ver pontos negativos do programa apenas positivos, já ganhamos um prêmio da UNESCO e fizemos um intercâmbio com Moçambique.

Diretor Jader, do Colégio Estadual CEM 06 - Ceilândia


Comprometimento - A garantia de êxito das ações e a consolidação de uma política de prevenção e promoção à saúde nas escolas, em processo comunitário e participativo, dependem do compromisso de gestores, coordenadores, profissionais de saúde e educação e da participação ativa dos estudantes e de toda comunidade escolar.


Após todo o monitoramento, percebemos que nas escolas em que o programa acontece existe menor taxa de alunos com gravidez não planejada e maior compromisso desses alunos - desde a conservação da estrutura da escola até a cobrança de melhores conteúdos na sala de aula. É visível práticas de educação diferenciada e a união de todos esses fatores faz com que se reduza expressivamente a evasão escolar.


Através do nosso acompanhamento das atividades e das entrevistas junto a professores e alunos, compreendemos como contribuições do programa Saúde e Prevenção nas Escolas:

 

- Fomentar a participação juvenil para que adolescentes e jovens possam atuar como sujeitos transformadores da realidade;

Contribuir para a redução da incidência de gravidez não planejada na população jovem;

- Contribuir para a redução da evasão escolar relacionada à gravidez na adolescência

- Possibilitar que a escola desempenhe seu papel democrático no respeito e convívio com as diferenças;

- Inserir no cotidiano da prática pedagógica dos professores as temáticas relacionadas à sexualidade elencadas neste Projeto;

- Promover o diálogo na família, na comunidade e integrá-las ao Saúde e Prevenção nas Escolas.


 

 


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