O grupo estava bem pequeno (no início tínhamos seis e depois das 10h, ficamos com um grupo de nove crianças). Chegaram duas novas crianças (Sabrina e Miguel) que disseram ter sido selecionadas pela professora Fátima. Da turma de Gladys, veio mais uma menina, Andressa. Cleiton e Alberto (que haviam participado de um encontro como ouvintes e combinamos que eles ficariam) compareceram à atividade.
As crianças escolheram as brincadeiras. Primeiro, brincamos de esconde-esconde só no espaço da sala e de cacique. Em seguida, Geisa sugeriu a brincadeira do elefante colorido (uma boneca vai passando na roda pelas mãos de cada um, quando a música pára, quem ficar com a boneca na mão, escolhe uma cor. Os outros precisam achar a cor na sala).
Iniciamos a conversa sobre o tema Meio Ambiente, com a Dinâmica dos Bichos. As crianças receberam papéis com nomes de vários animais (fêmea/macho) e foram orientadas a imitar o som e o movimento do seu bicho ate encontrar o se par (macho/fêmea) e formar seus pares. Alguns imitaram sem pestanejar os seus bichos e fizeram ótimas performances, outros ficaram com o papel na mão, olhando o que estava acontecendo e com vergonha de participar da brincadeira, pois teriam que imitar animais do sexo oposto aos seus: Matheus se recusou a imitar a “tigresa”, Alberto depois de resistir muito bateu timidamente as asas do seu “pássaro fêmea”, o mesmo acontecendo com Geisa que depois de um tempo imitou o seu “pássaro macho”.
Após a brincadeira, sentamos em roda. As crianças foram estimuladas a falar sobre o que sabiam do seu bicho e como foi para elas imitá-lo. A questão de gênero apareceu e conversamos sobre o assunto. Aos poucos, pelas falas, fomos construindo coletivamente o conceito de meio-ambiente.
Algumas respostas das crianças à pergunta: O que é e quem faz parte do meio-ambiente?
“A professora disse que a escola também é um meio ambiente, onde a gente vive e não pode jogar lixo no chão” (Osana)
“Eu faço parte do meio ambiente. E eu comigo também. Porque tem minha alma, neh?!” (Matheus)
“Acho que não tem só um meio ambiente. Tem um monte” (Miguel)
Pelo “gancho” das falas das crianças fomos estimulando-as a pensar nelas e no seu corpo como meio de relação com o próximo, meio de comunicação com o próximo. Quando falávamos do que cada corpo faz e surgiu o caminhar, Matheus disparou: “Natália não anda”. Bruna provocou: “Será que Natália não anda? E o ‘carro’ dela, pra que serve? Ela anda igual a você? E Miguel, Geisa, Osana, andam igual a você? Bruna andou no meio da roda para mostrar o seu jeito de andar e pediu para que as crianças também fizessem o mesmo. Matheus, Alberto, Miguel, Osana e Andressa andaram. Continuamos a conversar sobre o nosso corpo e passamos para a atividade prática.
As duplas (e um trio de “macacos”) se dirigiram para o pátio da escola munidas de giz colorido. Foram orientadas a fazer no chão o corpo do colega. Foi um momento bastante interessante. As crianças ficaram bem concentradas e se esforçaram para fazer o melhor contorno possível do colega. Natália foi ajudada a descer da cadeira e também teve seu corpo desenhado (um momento de pura euforia para ela! Ficou radiante de ver o seu contorno no chão!). As outras duas crianças que fizeram dupla com Natália (Andressa e Cleiton) foram bastante solidárias e pacientes com a colega. Uma alegria só! No final, Bruna pediu para que em fila todos olhassem os desenhos. As crianças comentaram o que acharam e sentiram. Matheus foi o único a dizer: “odiei o meu corpo, ta horrível, eu não sou assim, sou grande”. Com raiva apagou o desenho feito pelo colega Miguel que nem se abalou com o comportamento agressivo de Matheus e disse sorridente: “o desenho de mim tá massa, sou eu mesmo”.
De volta a sala, as crianças foram orientadas a transpor suas imagens para o papel, acrescentando os elementos que quisessem: poemas, textos, cores, etc. Concentradas, elaboraram desenhos fantásticos sobre si. Em roda, os desenhos foram apresentados e cada um contou como foi produzi-lo. Alguns falaram mais, outros quase nada. Geisa não quis mostrar o desenho dela. Não deu tempo para avaliar a atividade. Conversamos rapidamente sobre a possibilidade de uma outra data para o nosso encontro da sexta pós o feriado.
Impressões
por Bruna Hercog
Trabalhar com um grupo menor de crianças foi bem mais fácil para mim. Me senti bastante segura e sem muitos conflitos existenciais (rs). Mesmo ficando sem saber direito como agir em algumas situações, acho que dei respostas rápidas ao grupo. Consegui manter a “ordem” e até mesmo lidar com o pequeno e inquieto Mateus. Na roda de conversa, quando estimulava as crianças a falar perguntando “por que”, Osana disparou: “Você ta parecendo Maria, tudo pergunta porquê?”. Hum, acho que tô começando a pegar o jeito...risos...
Foi uma manhã muito rica. Me surpreendi com as respostas das crianças no momento em que construímos o conceito de meio-ambiente. Acho só que faltou o registro. Devia ter registrado as falas e ter deixado o conceito bem grande num papel flip. Mas, podemos fazer isso no próximo encontro, retomando o que foi construído e apresentando para o grupo todo.
O desenho de Natália mexeu muito comigo também (ou chamou a minha atenção). Ela se desenhou como uma princesa e escreveu: “A menina estava indo para o baile, uma festa. Sabe como era o nome dela: Natália. A menina mais bela do mundo.
Fiquei com a sensação que precisamos retomar a atividade de alguma forma, não acho que todos os objetivos foram alcançados. Talvez fosse legal falarmos mais sobre cada desenho. Como começamos tarde a oficina, não deu tempo de fazer tudo o que estava planejado. Mesmo assim saí da Úrsula naquele dia mais do que realizada. Saí feliz! Foi muito lindo observar o cuidado de cada um com o corpo do outro. Lindo!