Enfim, acho que chegamos num ponto chave da razão de existir dessa rede, né? O monitoramento. A gente se afirma como uma rede de monitoramento das políticas públicas da infância, adolescência e juventude, bem como um espaço de articulação e atuação política em prol da garantia de direitos de crianças, adolescentes e jovens.
E enfim, nas falas apareceu tanta coisa, a compreensão da importância desse olhar para as políticas públicas, seu cumprimento e repercussão naqueles que as acessam. É poder olhar aqueles dados quantitativos, discursos do Estado, e poder voltar a atenção para o nosso cotidiano, para a vida a nossa volta e enxergar como essas coisas repercutem, e se repercutem.
Idevan tocou um ponto chave. O da fiscalização. Monitorar é visto como uma fiscalização e o Estado Brasileiro, com toda a sua máquina (que inclui os funcionários públicos, as pessoas que estão na linha de frente do trabalho, das secretarias) não gosta de ser fiscalizado. Assim, chegar numa Secretaria do que quer que seja, para obter informações não é algo fácil. E não é mesmo. As portas se fecham, os narizes se torcem... o fornecimento das informações são dificultados. É isso mesmo gente. Monitorar numa medida é sim fiscalizar. É nosso direito, nosso dever. Pois só assim podemos propor mudanças, melhorias. Conhecendo a realidade em suas várias perspectivas e ângulos. E quem se propõe a monitorar precisa ter suas idéias e objetivos bem nítidos em mente: monitorar não é fácil. Não temos uma cultura de participação política e controle social arraigada. É tudo muito novo e o Estado Brasileiro vem de uma história de omissão de informações, coerção, repressão e não está nada acostumado a prestar contas do que faz.
Aí, Antônio levanta uma bola que é também chave: mas como fazemos desse monitoramento algo que produza sentido, que não tenha fim em si mesmo e que não seja apenas uma coisa “bacana” de ser feita. O monitoramento de políticas públicas não pode ser apenas uma pesquisa, um diagnóstico (que tem um grande valor, é claro), mas precisa incidir nelas. Esse é outro desafio.
Acho que um ponto é atrelar monitoramento e comunicação para mobilização social. Pô, eu faço um diagnóstico da realidade. Levanto números, levanto depoimentos, consulto as políticas públicas no que se propõem, verifico como isso ta funcionando, checo o que foi destinado de orçamento, converso com pessoas que entendem do assunto e que analisam os dados...faço um tremendo trabalho. Isso não pode ficar na minha estante. O portal Sou de Atitude é um canal, mas é preciso cavar outros. O poder público precisa conhecer esse meu monitoramento, a sociedade civil, a comunidade,os formadores de opinião... Muita gente precisa conhecer esse material. Ele precisa ganhar mundo.
E é aquele ponto que também surgiu: os Conselhos de Direitos. Sim, esse também pode ser um destino dos monitoramentos, mas a maioria desses espaços está enfraquecida e desarticulada nos municípios brasileiros. Aí tocamos num outro ponto. O monitoramento não pode vir desarticulada de outras ações de ordem política e social, tais como o fortalecimento dos conselhos, a mobilização social. É nesse conjunto (sim, complexo e árduo, é verdade!)que se dá o controle social.