A gente se comunica o tempo todo. A gente lê, diz, causa impressões o tempo todo. Meu cabelo diz algo de mim. A roupa que uso. Meus gestos, minha fala. Tudo isso diz quem sou, de onde venho. Isso é comunicação, uma das suas facetas. Facetas que são muitas. É na comunicação que a gente se aproxima, que a gente se esbarra. É nela que afirmamos o que queremos, o que vivemos, o que não queremos, o que desejamos mudar. É via comunicação que convidamos outros para nossa festa, para nossa casa, para nossa luta. Sem comunicação fica difícil participar, fica difícil compartilhar com o outro, chamá-lo para perto.
Vivemos num tempo em que estar conectado é meio que a tônica, é um valor. Se você não está conectado (seja em rede, seja via celular...) você muitas vezes está excluído. E a falta de acesso à informação, inviabiliza a participação política e social.
E no Brasil, a concentração dos meios de comunicação tanto proporciona o aumento do número dos excluídos da informação, como enviesa o olhar sobre as questões que atingem a justamente esse público. E nesse ponto, a juventude é uma das maiores vítimas. Jovem violento, jovem superficial, jovem como mercado. Quase sempre é assim que os meios de comunicação de massa falam do jovem, especialmente do jovem das classes populares.
Segundo o comunicólogo Albino Rubim, “a concentração da mídia no Brasil impede a pluralidade das visões políticas e a diversidade de expressões sociais, regionais, étnicas e etárias”. Para que muitos tenham voz e acesso à informação qualificada e pluralizada, acontecem no país as lutas pela democratização da comunicação. Lutas que vêm de muito, de décadas atrás, dos anos contra a ditadura, do presente propondo inclusão digital, rádios comunitárias livres, uma comunicação que não criminalize os movimentos sociais, a juventude. A bandeira de uma comunicação acessível para todos, com a voz e a cara de todos vem da consciência de que não existe democracia sem informação democrática.
Fica a provocação: por que a comunicação é um direito humano fundamental? Qual a importância desse direito ao lado de outros como direito à educação, saúde entre tantos?