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Publicada em: 15/05/2009
Encontro debate juventude e ensino médio
O encontro, realizado em Salvador, reuniu representantes da Secretaria Estadual de Educação e de ONG’s da capital baiana. A proposta foi é produzir reflexões que contribuam para a construção de políticas pública voltadas ao ensino médio no estado da Bahia.
Por: Rebeca Bastos (Núcleo Nacional)
Com o principal interesse de firmar uma parceria mais sólida entre as instâncias governamentais e a sociedade civil organizada na área do ensino médio, aconteceu nos dias 19  e 20 de março o Encontro Juventude e Ensino Médio. O evento que foi produzido pela Secretaria de Educação da Bahia (SEC) em parceria com as organizações não-governamentais CIPÒ Comunicação Interativa/Rede Sou de Atitude, Centro de Referência do Adolescente, Projeto Axé e Avante.  Realizado no Instituto Anísio Teixeira (IAT), o seminário contou com a participação de técnicos da SEC, de representantes de ONG’s que trabalham com adolescentes, professores e estudantes da rede estadual de ensino.

A concepção do encontro surge a partir da inquietação da sociedade civil organizada quanto a situação do ensino médio na Bahia, que ganha pouco atenção nas suas especificidades.  Além dos índices nacionais como o Exame Nacional do Ensino Médio ( Enem ) não existem no estado outros indicadores de avaliação dessa etapa de ensino. Também não existem pesquisas que tenham como interesse conhecer a juventude que está no ensino médio, seus interesses, ansiedades e dificuldades. Para o coordenador do Escola e Comunidade da SEC, Marcelo Rocha “ a parceria entre estado e sociedade civil será frutífera para a educação na Bahia, pois as ONGs que trabalham com adolescentes possuem uma tecnologia de ensino que atrai os jovens e o governo quer que essa atração seja reproduzida para o todo o ambiente escolar em larga escala.” Segundo Rocha a SEC já está organizando o Encontro Estadual Juventude e Ensino Médio, previsto para acontecer ainda no primeiro semestre desse ano e tem a intenção de envolver toda a comunidade escolar.

Durante o seminário, representantes das organizações não-governamentais abordaram, em diferentes oficinas, temas como a Educação como Direito, Inserção no Mercado de Trabalho, Articulação Escola e Comunidade e Gestão Participativa. A partir destas discussões, os participantes do seminário construíram diretrizes norteadoras para o Encontro Estadual. A sistematização do evento ainda não foi divulgada pela Secretaria.

Ensino obrigatório - Toda essa movimentação em torno do ensino médio no Brasil foi impulsionada pela proposta do Ministério da Educação (MEC) de tornar essa etapa de ensino obrigatória no país. Atualmente, a obrigatoriedade por parte dos governos é com o Ensino Fundamental. No entanto, apesar da importância do debate ainda faltam problematizações e pluralidade acerca do tema. Além da disponibilização dos recursos necessários para a implementação, a questão da obrigatoriedade do ensino médio requer reflexões que contemplem a diversidade de realidades e interesses no Brasil e questões várias precisam ser pensadas, como, por exemplo, estabelecer para quem será obrigatório: para a oferta pelo Estado ou para a freqüência dos estudantes? Qual o lugar do ensino profissionalizante no debate? Quais são os interesses dos estudantes? Enfim, a discussão ainda é muito incipiente e requer uma ampla participação da sociedade antes de se estabelecer um modelo a ser seguido.

De uma forma geral os jovens presentes no Seminário dizem que falta diálogo no ambiente escolar e que sentem falta da troca de informações entre alunos e professores. Fernanda Silva, atriz do CRIA,  já concluiu o ensino médio, mas diz que o que mais sentia falta era do diálogo entre professores e alunos na sala de aula. O discurso da professora Marlene Braga segue a mesma linha de raciocínio: a educadora que já leciona há quase 30 anos e afirma que “a escola não tem a cara do aluno” e não atende as especificidades dos grupos específicos ao não incluir o debate sistemático sobre a situação dos negros, indígenas e sobre a sexualidade. Para o estudante do ensino médio, Alex Rodrigues, alguns professores antes de tentar o diálogo com a turma de estudantes partem logo para a hierarquia e gritam com os estudantes impondo regras que não foram estabelecidas continuamente.

Diálogo - O encontro reuniu alguns técnicos que trabalham na SEC e que são responsáveis por articular várias das rotinas que são estabelecidas no ambiente escolar, mas que muitas vezes não estão inseridos nesse cotidiano e não sabem das principais demandas. A técnica da SEC, Guacira Marciel, afirma que o Encontro foi muito proveitoso, pois as oficinas com o Projeto Axé a CIPÓ trouxeram o conhecimento sobre as novas metodologias de ensino. Para Lara Carneiro, é importante que o técnico se sinta incluído e integrado com as propostas do estado, dessa forma o trabalho realizado pode ser mais consciente e unificado.   

Entre as principais considerações dos participantes sejam os estudantes, professores ou técnicos da secretaria o sentimento de que dialogar é preciso ficou evidente. O primeiro passo nesse sentido de agregar os principais envolvidos na gestão da educação já foi dado, na opinião da técnica da SEC, Rosa Gaspar “uma interação verdadeira e dialógica entre sociedade e governo é boa para todos”.

 


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