topo


Conferência Nacional de Juventude

Núcleo Nacional

Sergipe

Ceará

Pernambuco

Bahia

Amazonas

Maranhão

Brasília

Pará

Paraíba

Mato Grosso do Sul

Rio de Janeiro

São Paulo

Piauí

Rio Grande do Norte

 

Cobertura >> BAHIA

Publicada em: 10/02/2009
Fórum Social Mundial: de quem pra quem?
Uma provocação que gerou reflexões sobre o Fórum Social Mundial
Por: Mayne Santos (Uruçuca - Bahia)

Ontem, um amigo recém chegado do Fórum Social Mundial esteve lá em casa. Estávamos entre alguns amigos. Curiosa, perguntei como era aquele imenso espaço coletivo. Coisas que suspeitavam se confirmaram e outras me foram reveladas em suas respostas. Passei a noite meditando sobre o direito à informação, quem participa do que, para quem é produzido, o que e especialmente qual o papel e "obrigações" de quem participa desses espaços coletivos e ainda "restritos"?

 

Teve uma resposta do meu amigo que vale a reflexão. Perguntei ao meu amigo se ele achava que a divulgação do fórum, do que é, para que através da TV, dos canais mais populares de informação ou até mesmo nas universidades conseguem oferecer as pessoas a noção do que é o fórum. Porque já suspeitava que a sua resposta seria não, o que ele confirmou. Ele me disse "não, ontem procurei na banca de jornal alguma coisa que falasse do fórum e não tinha nada".

Fiquei pensando de qual validade tem um espaço com tantos encontros e discussões quando a massa nem sabe o que é e para que ele existe, quando os jornais e a TV falam dele como se fosse um mero acontecimento, visto que os jornais estão voltados para o Encontro G8. No meio dessa conversa. No meio dessas constatações, falei que às vezes parece que não teremos um mundo melhor, que parece que a transformação é espiritual e ele me contou que a abordagem principal do fórum era exatamente que um mundo melhor é possível... Fiquei pensando como é possível se a grande massa não tem noção dessas possibilidades. Fiquei pensado se quem está lá acha que é possível porque naquele aglomerado parece que tem muita gente no mundo lutando por isso e se eles pensam ou consideram a importância de sociabilizar o que se ouve, o que se aprende naquele espaço?!

 

Claro que também não acho que a mudança vai ser de um dia para o outro e que o fórum não tem importância, pelo contrário. Mas há quantos anos existe o fórum e as "pessoas" não sabem ao certo o que acontece. Será que não seria interessante ter uma cobertura mais ampla, até mesmo dos debates, em canais acessíveis. Daí alguém pode perguntar mas como,  e dizer que tem que ter interesse das grandes empresas televisivas e que elas não tem e blá blá blá. Mas será que não seria também o papel de quem tem o privilégio de estar nos espaços buscar as formas de tornar conhecido esses momentos e debates. Afinal, a maioria ainda não pode participar presencial, mas será que não deveríamos pensar em formas de pressionar os canais acessíveis a massa pra divulgar e permitir o acesso. E não estou julgando aqui a ética, o comportamento e interesse dessas, mas sim os nossos.

 

Esperança

 

No ano que passou, vivi um momento único no encontro da Amarribo, em São Paulo. Me senti inundada de esperança e vontade e fiquei imaginando se a gente conseguisse transmitir aquele momento ao Brasil, quanta esperança, quanta mobilização, quantos novos olhares e possibilidades poderiam chegar e ser construídos. Sem a informação e os mecanismos que nos mostram que é possível é impossível a mudança real. E quanta
tristeza eu senti ao voltar a minha terra, no interior da Bahia e constatar que a informação ainda não chega, que essa febre de desesperança e conformação é sentida pela maioria. Enquanto a TV nos inunda com suas trágicas notícias, com crises sem a visão da necessária transformação, sem apresentar ações que grupos de jovens,
de mulheres, de Gente estão realizando buscando a transformação e melhoria coletiva...

 

Sei que alguns ao lerem essa reflexão pensará "será que essa pessoa acha que algum canal popular está preocupado com isso?". Acho que não, mas nós devemos estar ou ficar. A informação tem que chegar, os acontecimentos que buscam uma construção de um novo olhar, um olhar que busca um mundo coletivo e sustentável possível, que as pessoas juntas buscam achar novos caminhos.

 

Imaginem se pela TV apesar de informação rápida informasse que existem pessoas no Piauí que fazem uma marcha contra as impunidades, que no país todo existem grupos se organizando contra corrupção, que existem redes de jovens trabalhando pelo meio ambiente, pela sustentabilidade, pela nova forma de informar, que no fórum grupos de todos os segmentos discutem e propõem caminhos mais humanos para todos. Que existem comunidades propondo uma forma de vida mais humana, sustentável,
coletiva e possível...

 

Tenho me questionado muito sobre as mudanças que estão acontecendo, às vezes por estar participando de espaços onde as pessoas estão buscando solução ou debater as questões coletivas me traz a sensação da mudança acontecendo. Às vezes por participar de espaços representando a juventude de como socializar, se a mudança está acontecendo ou se sinto isso por estar fazendo parte dos espaços. Percebo na maioria dos espaços que as informações nas capitais são diferentes dos interiores, o que pode levar a quem está participando a sensação de mudança, aí eu pergunto até que ponto, aonde e pra quem existem espaços participativos e qual o efeito disso em estados com 417 municípios como a Bahia? Quem participa de que?

 

Nisso tudo fiquei lembrando de uma menina, Juliana (BH) que conheci na Oficina do Sou de Atitude, lá nesse evento da Amarribo que contou seu antes e depois dos  movimentos e sua preocupação com a informação não chegar e ela falou das zonas rurais e dos jovens que estão lá... Pois, é isso me preocupa também a forma que eventos como Fórum, as conferências, os encontros acontecem e mobilizam muita gente das capitais e pouca dos interiores, especialmente os jovens e aquelas pessoas que não "são" (ou se identificam como tal) quilombolas, indígenas, marisqueiras, pescadores, que nem sabem do povo ou comunidade tradicional, que são os mesmos excluídos do processo, os ex-moradores do campo, os formadores de favelas, os a margem ficam a parte de tudo. Me preocupa ver tanto jovem sentado nas praças e indo e voltando de escolas que não falam dos programas do governo para o jovem ou das organizações de jovens e demais, que continuam a passar por aqui...

 

Trocas de Aprendizados

 

Acho que um dos caminhos para realmente auxiliarmos e propormos essa construção coletiva, é descobrir diferentes meios de informar, comunicar e "trocar" aprendizados... Buscando sempre ouvir realmente quem está na ponta, entender sua limitação e sua percepção. Identificar grupos que dentro da sua realidade e possibilidade vem buscando desenvolver alguma atividade coletiva, mas que não sabem que tantos conselhos existem e para quê existem e tentar trazê-los para os conselhos, encontros, espaços de debate...

 

Pontuando isso, eu como pessoa, como jovem e cidadã tenho a agradecer ao Pegada Jovem (Coletivo Jovem de Meio Ambiente de Salvador) que em todos os encontros que estive com os membros tentaram me trazer informações que não chegam a esses interiores. Não só informaram como se deslocaram da capital para dividir sua vivência conosco. E não foi só um membro não, todos (Carol, Mariana, Rodrigo, Ian, Felipe, Hebert...) tentaram dividir a importância dessa construção coletiva e quantas coisas já aconteceram por isso. Mas eles bem sabem como é grande minha preocupação quando percebo que os jovens da capital estão bem mais
informados e com isso mais mobilizados também.

 

Às vezes, pode até parecer que estamos mais mobilizados, mas será que estamos olhando direito? Quem está acessando as informações importantes para o acontecimento das transformações, mobilizações e participações?  Querendo ou não temos que entender que o maior canal de informação para grande massa é a TV e ao invés de vê-la somente como vilã começar a pensar em como usá-la a favor dessa construção coletiva, utilizando como mais uma ferramenta... Então, no meio dessa reflexão toda pensei que não tem jeito a TV pode ser uma ferramenta importante para mobilizar e sensibilizar, porque apesar de nem todos terem acesso ao computador, até em barracos de madeira o pessoal tem parabólica e TV. Finalizo solicitando que a turma que foi ao fórum que
envie vídeos, material  e informativos sobre o fórum que eu possa encaminhar a outros e já agradeço aqueles que através das redes já tem feito isso.

 

A democratização das nossas sociedades se constrói a partir da democratização das informações, do conhecimento, das mídias, da formulação e debate dos caminhos e dos processos de mudança. Betinho

 


Links Relacionados

01/06/2009 - Prática ilegal do trabalho infantil é discutida em Congresso
15/05/2009 - Encontro debate juventude e ensino médio
27/04/2009 - Polêmica e diferenças dão o tom da Conferência de Igualdade Racial
13/04/2009 - Tudo pronto para início da Conferência
30/03/2009 - Por que o Direito à Educação?
20/03/2009 - Educação ambiental é pauta das escolas municipais de Salvador
 
 

Rede Sou de Atitude 2008.