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Ação Política

Publicada em: 18/08/2008
Sociedade civil influencia criação de ppj’s na Bahia
Rede Sou de Atitude acompanhou a construção do Plano Estadual de Juventude da Bahia
Por: Loran Santos (Núcleo Nacional / Salvador-BA)

A mobilização e o monitoramento

 

Durante as reuniões da Comissão Organizadora Estadual (COE) das Conferências de Juventude, nós da CIPÓ – Comunicação Interativa e da Rede Sou de Atitude, estivemos em contato com representantes dos governos estadual, principalmente, e municipal, além de nos aproximarmos a organizações de diversos segmentos dos/as jovens.  Através desses contatos, estreitamos laços e conquistamos legitimidades para as nossas causas prioritárias: direito à participação e a comunicação.

 

Durante as conferências territoriais (participamos de dez), inicialmente tínhamos a função de coordenar os Grupos de Trabalho, mas aconteceram imprevistos e houve encontros em que assumimos o papel de facilitar as discussões. Além disso, em Vitória da Conquista, estivemos na mesa de abertura representando a COE. Essas articulações e aparições estratégicas foram fundamentais para a conquista de respeito. Penso que os nossos acentos no Conselho Nacional de Juventude também reforçaram o nosso valor simbólico.

 

Nesse percurso, fazíamos também o monitoramento de como a juventude entendia a comunicação e a participação. No âmbito do direito à participação, percebemos uma parte dos/as jovens já experientes com o espaço da conferência e outra meio sem saber como atuar, mas que tinham noção da importância daquele momento.

 

Quanto à dimensão da comunicação, percebia-se que as visões estavam um tanto equivocadas. Ouvi jovens dizerem, que rádio comunitária era pirata e que podia derrubar avião. Ou seja, a reprodução do pensamento imposto pelos grandes meios de comunicação. Um outro ponto de vista aparecia de maneira ínfima, uma galera que trabalhava (e ou tinha interesse de trabalhar) com a comunicação para falar das suas problemáticas.

 

O entrelaçamento com as várias pessoas que se agruparam nessa construção fortaleceu a Cipó e a Rede Sou de Atitude junto as instituições governamentais e da sociedade civil.

 

 

O convite

 

Após o processo das Conferências de Juventude, o Governo do Estado criou um Grupo de Trabalho (GT), composto por membros de algumas secretarias e representantes da sociedade civil. O objetivo do GT era elaborar para o conjunto do governo e a sociedade baiana, elementos concretos para a construção de uma Política Estadual de Juventude. As reuniões ocorreram às terças-feiras entre 15 de Abril e 13 de junho, na Secretaria de Relações Institucionais – Serin.

 

O GT que teve como coordenador Éden Valadares da Serin e contou com a participação de pessoas de outras secretarias: Marcelo Rocha e Vivien Celeste (Educação), Mariana Farias (Casa Civil), Anderson Santos e Marcos Pereira (Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza), Sônia Ribeiro (Planejamento), Lívia Borges e Rodney Moreira (Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte). Além da presença de Jéssica Snai, representante do Deputado Estadual Yulo Oiticica, da Frente Parlamentar da Juventude e do membro convidado Jurandir Júnior, do Instituto Castro Alves de Estudo da Juventude.

 

Após essas reuniões, Éden Valadares se responsabilizou em apresentar as propostas que foram tiradas no GT por algumas organizações da sociedade civil, com o intuito que as mesmas pudessem colaborar embasadas nos seus respectivos acúmulos.

  

A mobilização e a ação política eficaz

 

Nessa perspectiva, no dia 02 de Junho de 2008, houve uma reunião na sede da CIPÓ – Comunicação Interativa, solicitada pela Serin  e articulada pela Avina. Estavam presentes os membros do Conjuve pelo Pangea, Instituto Aliança com Adolescente e CIPÓ, além de Éden Valadares da Serin, Gilvan David, da Avina, Rebeca Ribas, do Instituto Aliança/JAP, e eu, Loran, representando a Rede Sou de Atitude. O objetivo era discutir algumas questões sobre as políticas públicas de juventude no estado. Na ocasião, Éden ficou de enviar o relatório da conferência e solicitou que aquele coletivo fizesse as observações necessárias para o documento.

 

Esse grupo mobilizou outras organizações para participar dessa articulação e decidiu tecer considerações de caráter geral, por meio de uma carta ao governo sobre esse processo de construção de políticas públicas de juventude. O coletivo então, pontuou a necessidade de maior aprofundamento conceitual e técnico no Plano Estadual de Juventude e desde então, se colocou à disposição para constituir um grupo intersetorial (governo e sociedade) para realizar a revisão do Plano. O que não foi atendido pela Serin.

 

Por outro lado, o governo atendeu a algumas propostas elaboradas por organizações desse coletivo para o Plano Estadual de Juventude. A maioria das intervenções levantadas pela CIPÓ, tanto o diagnóstico da comunicação na Bahia, quanto os objetivos e metas, foram contempladas no documento final do Plano Estadual de Juventude, que deverá ser sancionado por decreto pelo governador do estado esse ano e norteará as políticas de juventude para os próximos dez anos. Vale ressaltar que as propostas para as políticas foram tiradas durante a 1ª Conferência Livre de Comunicação, havendo apenas uma adequação para o segmento juvenil.

 

Foi uma experiência cansativa porque vivenciamos uma correria diferente: reuniões, articulações, conflitos... Por outro lado, foi muito gratificante, pois as nossas ações implicarão na realidade de diversos jovens da Bahia. Monitoramos, mobilizamos, sugerimos e enfim a ação política foi concreta. Agora, é acompanhar a aplicação do que foi proposto para não haver deslizes. E a luta continua!

 

 


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