Fórum Social Mundial, Militância e Democratização da Comunicação

Bom, ao ler a reflexão feita por Mayne fiquei também a  refletir muitas questões.... Em relação ao Fórum Social Mundial a que participei pela primeira vez, tenho algumas críticas aos moldes da organização. Conversava com Wilton sobre as impressões que tive após a chegada aqui em Belo Horizonte.

Fiquei realmente me questinando, pois percebi que a participação foi vedada. Uma vez que se coloca como condição da participação uma taxa. Não questiono a taxa, mas sim  ter atribuído  isso a quem poderia participar e ter acesso aos espaço dessa grande discussão onde "um outro Mundo é Possivel". Se um outro mundo é possivel, temos então que desatrelar essa idéia do modelo economico capitalista posto, inclusive nesse espaço.

Quando vi que os próprios paraenses não puderam participar devido a esse fator, fiquei perplexo, pois ao meu ver um outro mundo é possivel. Somente numa sociedade igualidatária e não excludente, pois mais uma vez a informação só chegou aqueles que por ela pode pagar.

As provocações de Mayne também me fizeram lembrar da fala de Frei Beto sobre o enfraquecimento da Militância no Brasil, pois, às vezes, fica a impressão de que é que só quando acontece uma situação de extrema opressão para as pessoas se mobilizarem. Ele ainda diz que a militância se conformou com uma falsa democracia, contruída após a ditadura.

Penso como Lulu Santos diz em uma música: "Assim caminha a humanidade, com passos de formigas e sem vontade". Um dos desafios das instituições que trabalham com comunicação é fazer o debate qualificado da democratização da mídia, para assim  darmos mais um passo, porque não é de hoje que o monopólio das concessões públicas ocorrem neste país. E por isso, a tvs se vêem no direito de fazer o recorte que lhe interessa, não o que interessa a população. Quanto mais alienada esse população, mais massa de manobra ela será.

É  foda aceitar um país que criminaliza rádios comunitárias, que prestam serviços às comunidades em que estão inseridas. E as rádios comerciais que obtêm essa concessão não fazem a não ser o que lhe interressa colocar essas discuções nas paradas de sucesso.

Ainda temos muito o que caminhar e me alegro ao saber da possibilidade da 1° Conferência Nacional de Comunicação, anunciada para esse ano, onde talvez, essas questões possam sair do campo reflexivo e passe para pauta e agenda política dos nosso senadores, deputados e legisladores. Contudo, fica aí o desafio para pautarmos as instituições de comunicação dos nossos municípios e estados, sobretudo a juventude e a sociedade civil de um modo geral a pressionar o Estado para a possibilidade de um outro mundo possivel e de uma informação de qualidade.