| 30 Agosto 2010
As discussões sobre a Obrigatoriedade do Serviço Militar estão em pauta nacional. Está em debate o Plano Estratégico da Defesa, proposto pelo secretário de assuntos estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, pelos ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Dilma Rousseff, da Casa civil, e pelo vice-presidente José Alencar, sugere, entre outras metas, a manutenção da obrigatoriedade do serviço militar para homens e a inclusão da obrigatoriedade para mulheres.
O tema também está em debate entre os membros da Rede Sou de Atitude, que estão discutindo e trocando opiniões sobre o projeto, mas também sobre o que foi sugerido pelas resoluções da Conferência Nacional de Juventude. Foi solicitação do processo que fosse suspensa a obrigatoriedade do serviço.
Acompanhem as discussões
Jaqueline Soares
É gente, esta questão da obrigatoriedade realmente é bem complexa. No tempo que passei acompanhando o Projovem, vi que a grande maioria do meninos vê na vida militar uma grande possibilidade de elevação da qualidade de vida, de acesso ao mundo do trabalho e renda e de conseguir o respeito que a comunidade ainda valoriza o jovem que serve ao exército. Quando foi provada a não obrigatoriedade do serviço militar no Conferência, me veio logo o questionamento, quem estava levantando esta bandeira?
Não por achar ruim, eu, particularmente, não concordo com a obrigatoriedade do serviço militar, mas que pelo menos em minha cidade, quem levanta estas bandeiras são os movimentos estudantis universitários, que pouco se aproximam da grande maioria da população mais pobre da cidade. E ai me surge mais um dos grandes questionamentos que me movem recentemente: será que as demandas do movimento social realmente são pensadas para a maioria das juventudes onde nós vivemos?
Karlos Rikáryo
É melhor termos um exército obrigatório? Ou um exército mercenário como o americano?
Mas a discussão não parou aí, existe uns números que apontam para um fato curioso. Hoje o serviço militar está mais flexível pelo fato de estar sendo mais facilitado a dispensa. Mas o porém é o seguinte: 90% dos jovens que ingressam no Serviço Militar vêem isso como uma oportunidade. Inclusive, o número de inscritos é quase 40% maior que a capacidade das vagas abertas. Isso nas capitais onde o exército paga e tem uma formação militar com quase dois anos de duração.
No interior, o Serviço Militar é chamado de Tiro de Guerra. Esse sim não tem nenhum tipo de remuneração e o tempo de treinamento é bem menor (seis meses) que nas capitais. Esse sim pode deixar de ser obrigatório.
Mas, eu mesmo ainda, não tenho uma posição sobre se o serviço militar deve ou não deixar de ser obrigatório.


